Apesar de enfrentar um ano difícil, com prejuízo, a Bosch América Latina tem obtido bons resultados nas exportações. No acumulado do ano até julho suas vendas externas cresceram 20%, principalmente a partir de embarques para Estados Unidos e China. Com tal desempenho a participação das exportações no faturamento da empresa cresceu cinco pontos porcentuais, passando de 22% em 2014 para 27% este ano – antes estava na faixa de 18% a 20%.
Os dados foram revelados com exclusividade pelo presidente da Bosch América Latina, Besaliel Botelho – o executivo será o entrevistado da seção From the Top da revista AutoData, edição de setembro.
“A exportação não se faz da noite para o dia, mas temos produtos globais que favorecem negócios externos, inclusive dentro do próprio Grupo.”
Além do fato de ter produtos competitivos também o real desvalorizado tem contribuído para a alta das exportações da Bosch a partir do Brasil: “Com o câmbio favorável estamos exportando mais para os Estados Unidos e China e também um pouco para a Europa”.
Como exemplo de produtos competitivos aqui produzidos, Botelho cita bobinas de ignição de alto desempenho que estão abastecendo o mercado estadunidense. Ainda com relação ao câmbio o presidente da Bosch acredita que o dólar valorizado acabará favorecendo também os negócios internos da empresa no País: “Acredito que com o real mais de 30% depreciado os clientes passarão a comprar localmente ao invés de importar”.
Quanto às exportações, a estratégia da empresa, segundo o executivo, é ter 30% do faturamento baseado nesse tipo de negócio: “É um índice que contribui para a empresa manter algum equilíbrio em períodos de retração do mercado interno como o atual. E estamos bem próximos”.
Também no mercado de reposição a empresa opera com resultados positivos – alta de 5% no acumulado deste ano –, mas as duas áreas não têm compensando 100% a quedas nos negócios internos de OEM. Isso apesar do fato de registrar queda menor do que a média do mercado nas vendas para as montadoras:
“As vendas de veículos caíram 18% e nossos negócios junto às montadoras decresceram 9%. Nosso índice de baixa é menor por novos negócios e aumento no fornecimento interno de alguns componentes, como ABS e ESP. Mas nossa dependência do mercado automotivo é muito grande e, por isso, não conseguimos equilibrar a retração interna a partir dos acréscimos em exportação e reposição.”
De qualquer forma a Bosch deverá faturar este ano na América Latina um pouco mais do que os R$ 4,9 bilhões do ano passado: “Isso, no entanto, não significa aumento real de faturamento. Será conseqüência da desvalorização da moeda nacional”.
A Bosch investe R$ 100 milhões este ano na América Latina, boa parte em modernização de seus processos produtivos. Também tem antecipado nacionalização de componentes que tendem a registrar demanda crescente, como o ESP, controle de estabilidade, e o Start-Stop – que, por enquanto, equipa apenas uma o novo Fiat Uno. Para Botelho, é tudo uma questão de tempo:
“Temos vários projetos em andamento que contemplam o uso do Start-Stop, por exemplo. Com o Flex Start [sistema de partida a frio que elimina o tanquinho extra de gasolina] foi assim: começamos com um modelo da Volkswagen e, a partir daí, construímos um novo mercado”.
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